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Foi dia doze proximo passado. Acordei bem cedo, pois tinha de estar aos pes da Nana chan as sete da manha. Tinha deixado meu quarto todo baguncado por conta de arrumar a mochila. Na minha mochila azul que ja tem uns dez anos estavam mantimentos pra tres dias comprados as dez da noite do dia anterior no supermercado caro que fica aberto ate uma da manha. Acho que foi a minha compra mais cara num supermercado: tres mil e trezentos ienes.
Estava la nos pes da boneca gigantesca antes do combinado. Minha mochila leve, faltando principalmente o protetor solar e um colchaozinho. Depois chegou o Patrick e depois dele a Ai. Foi a segunda vez que fui a Takayama. Mas nao paramos la. De Takayama ainda pegamos dois onibus ate chegar a Kamikouchi (kou se le coo e chi se le ti, sotaque brasiliense). Kamikouchi e uma das portas dos Alpes do Norte do Japao. Apesar de serem alpes do norte nao sao la pra Hokkaido nao, e sim em Nagano e provincias vizinhas. Pegamos um mapa, a Ai pagou mil ienes de seguro e comecamos a caminhada pra riba. Eu fui andando bem divagar e tirando fotos, o Patrick foi bem rapido na frente e a Ai cansou e foi divagar tambem. Como estava ficando tarde, eu e o Patrick fomos na frente pra montar as barracas antes de escurecer. Chegamos todos antes de escurecer na area de acampamento.
Nas montanhas anoitece mais cedo, e as pessoas vao dormir mais cedo, ate aqueles que estavam enchendo a cara com saque vao dormir assim que o sol se poe. O ceu estava lindo, nao tinha uma nuvem e so a luz da pousada. Dava pra ver o Escorpiao e a Via Lactea, alem de varias estrelas cadentes. Em ingles sao shooting stars e em japones sao nagare boshi, algo como estrelas deslizantes.
Segundo dia, decidimos ir ate o topo da montanha sem as mochilas, pois tinha sido dificil ir ate ali com os mochiloes. Depois de uma hora de caminhada, a Ai desencanou de subir. Ela voltou pro acampamento. A subida nao era tao dificil, nos lugares mais complicados, tinha corrente pra ajudar ou escadas. Mas aos 2500 metros de altitude, qualquer esforco cansa mais, acho que e por causa do ar rarefeito. Apesar disso a montanha estava cheia de tias, vovos e criancas. Uma das coisas mais legais de subir montanhas e que todo mundo se cumprimenta. Diferente da cidade ontem tem gente de mais, e seria inviavel cumprimentar a todos. Na montanha, a saudacao serve pra avisar ao outro sua presenca, super importante. Por volta do meio dia chegamos ao topo. Como estavamos com pouca agua, resolvemos nao esticar o passeio ate o outro topo que e o terceiro mais alto do Japao. Mas estavamos bem altos, mais de tres quilometros de altitude. O ceu estava todo azul e dava pra ver o monte Fuji la longe. Voltamos sem muitos problemas. Por nao ter dormido direito a noite anterior fui dormir cedo e mais agasalhado. Nada de estrelas.
Terceiro dia, acordamos e o dia estava meio nublado. Resolvemos descer e passear la em baixo, pra Ai se divertir tambem. Antes disso, subimos ate uma caverna de gelo, impressioante ainda nao ter derretido todo o gelo, no verao quente daqui. Quando estavamos voltando pras tendas, comecou a choviscar. Esperamos dentro da pousada ate a chuva se acalmar um pouco e descemos a montanha. A chuva foi diminuindo e logo parou. fomos ate o lugar de informacao e decidimos o lugar pra acampar. Foram duas horas de caminhada na beira de um rio lindo. Ninguem tomando banho no rio. Acampamos na grama. E tao melhor do que dormir na pedra. Nao passei frio.
O quarto e ultimo dia comecou com uma chuva prolongada, que serviu de desculpa pra eu nao ir ate o rio tomar banho. Eh, passei tres dias sem tomar banho. Tomamos o cafe da manha dentro da barraca e pe na estrada, no meio do caminho a chuva parou. Assim que chegamos numa loja de lembrancas, me dei conta que uma das alcas da minha mochila estava solta, a argola que segura o pino nao estava la. Comprei um chaveiro com um kappa (especie de saci perere verde com agua na cabeca que vive nos rios japoneses) e usei a argola pra mochila. Pegamos os dois onibus logo entao tivemos bastante tempo em Takayama. O Patrick que passou o tempo todo na montanha todo energico, estava bastante recluso, a Ai estava de boa. Vimos uma exposicao muito maneira de caligrafia semi japonesa. Como assim semi japonesa? O estilo de caligrafia era japones, as letras nao. Achei muito bonito e troquei uma ideia com uma das alunas da artista, que chama Ando. Ela expoe em Toquio normalmente. Chegamos aqui em Nagoya as oito da noite, por causa dum engarrafamento. A minha bicicleta nao estava onde a deixei, acho que a policia a sequestrou, por que estacionei em local inadequado (porem cheio de bicicletas). Tomar banho foi muito bom. Estava mais sujo do que pensava. Dormir na minha cama e com ar condicionado nao foi tao bom quanto dormir na montanha no frio com meus amigos.
O lugar e todo preparado pra turista.
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