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Olhos D´agua (Black Atlantic)
( ta mal escrito mesmo tenho trabalhado de 10 a 12 horas por dia nas ultimas 3 semanas e so tive 1 dia livre estou na minha 4 semana sem sem tirar de dentro tomei uma cerva e tou cansado mas tinha que escrever isso hoje. Onde ta esv´crito noa le se nao o resto vcs sao criativos, outra o word em alemao nao e freundlich)
Estamos ja ensaiando pra esse projeto desde o dia 18 de agosto, a estreia vai ser tambem 18 de setembro. Um mes pra preparar material ensaiar e levar pro palco diferentes angulos da historia africana depois do Atantico. Na sua forma mais viva tres Maes vao contar sua historia e vivencias no palco. Enquanto nos os bailarinos vamos corporificar essas lembrancas.
Hoje fomos apresentados a essas tres maes, depois de um ensaio sinistro reunidos com toda a producao, pudemos escutar passagens e depoimentos delas.
Mae Beata:
Sarcedotiza do candomble e filha de iemanja. Ela contou a historia de seu avo que depois de ter cinco vezes gemeos virou o reprodutor do engenho (4 delas gemeos homens). Sua mae virou mucama da senhora de engenho e numa das idas a cidade acompanhando a senhora foi “roubada por um mulato e perdeu a virgindade”. Apartir dai ela nao foi aceita na fezenda onde o mulato trabalhava. Nao foi recebida nem na fazenda onde era mucama. E sua propria mae tambem a renegou por estar desonrada. Entao o moco teve que aceitar a responsabilidade e indo de encontro contra a familia mestica se casou com a negra. Ja no nono mes com fome e sem nada pra comer a mae de Beata foi pedir ajuda de uma outra negra que por acaso era parteira. Ela disse:
- & nbsp; &n bsp; Nao va pescar nao pois vc vai dar a luz hoje mesmo!
A mae de Beata com fome nao escutou a recomendacao da velha e foi pescar assim mesmo. No meio do rio comecou a sangrar e antes de chegar na beira a cabeca do bebe ja estava saindo. A parteira escutou a gritaria e veio ajudar no parto ali mesmo ja fora do rio numa das ruas da cidade.
- & nbsp; &n bsp; Essa menina e filha de Iemanja! E bom cuida do santo dela.
Iemanja a ma eque todos acolhe. A mae do peixe a filha do peixe.
Othella Dallas
Nasceu em Menfis Minesota loge depo i da primiera guerra mundial. Com ela moravam sua mae suas 7 tias e sua avo todas cantoras ou musicistas. Como nao tinham dinheiro pra comer elas iam para a fila do pao todo dia. Ai elas mudaram de casa e foram morar mais longe. Othella entao ficou responsavel pela fila do pao. Como era muito longe e o chao muito quente foi ai que ela aprendeu a dancar pra nao queimar os pes descalcos. Sua vo comecou a leva la nos concuros de talento. Ela vencia todos ate que ficou proibida de frequentalos. Ela ia contado essas historias e uma ora ou outra soltava uns cantos estilo blues e gospel. Maravilhosa tem mais de 80 anos e parece que nao tem 60 ainda.
Tereza Santos
Seu nome real era Jaci. Ela e seus irmaos tinam nomes indigenas pois seus pais diziam serem indios e nao negros. Pra eles seria melhor que eles se vincular a auto imagem dos filhos ao indio que “nao aceitou a escravida” e nao ao negro que aceitou... Tereza desde pequena nao entedia porque nas favelas so tinham negros e na rua onde morava so brancos. Ainda pequena questionou os pais porque indio tinha cabelo liso e ela nao. E assim por diante.
Tereza contou que no Brasil o racismo e muito cruel e discimulado. E que desde pequenos os negros nao passam um dia sequer sem que sejam lembrados que soa diferentes que soa negros.
Logo estava vinculada ao movimento comunista. E mais tarde apos o golpe de estado no Brasil fugiu pra africa onde participou ativamente do processo de independecia de Guine Biscau. Cuidou e deu aula de teatro pra criancas orfans da guerra. 86 delas a concideravam mae, e ela reciprocamente os considerava filhos. Nessa ora ela falou solucando e com lagrimas nos olhos.
Ela comentou que os camarads em Guine sabem pegar no fuzil e fazer a revolucao mas deposi nao sabem guiar o pais.
Em seguida ela a convite foi pra Angola onde no ministerio da cultura passou os 5 anos mais intensos de sua vida. Por questoes ideologicas e politicas ela foi presa. No seu departamento tinham muitos estrangeiros e brancos. Nesse momento ela tambem chorou dizendo nao aceitar qualquer tipo de racismo nem de branco pra negro nem o contrario. Quando ela foi presa seus 86 filhos de Guine vieram e acamparam em frente a cadeia por 3 meses ate ela ser liberada. Foi mandada imediatamente para o Brasil onde chegou no aeroporto do Rio descalca e sem documentos ou pertences. Pra ela com essa teoria de democracia racial do Brasil roubaram do negro ate o direito da revolta ou da luta. E se alguem se manifesta sobre o racismo no Brasil e taxado de louco como se isso nao existisse. Ai o negro ta na favela por sua unica e simples responsabilitade. E ainda acham errado o projeto de cotas nas universidades. Queriam que o negro saisse da senzala pra universidade como se eles estivessem em patamares iguais ao dos portugueses e todos os outros imigrantes do Brasil.
Ela disse emocionada ainda:
- & nbsp; &n bsp; Se vcs me perguntarem se minha luta mudou alguma coisa diria que nao mas eu vou morrer lutando.
Metade desses depoimentos escutei com lagrimas nos olhos a outra escutei triste, a outra escutei chorando. Depois deu um abraco no Ismael um dos idealisadores do projeto e coreografo, comentei como era magico trabalhar com essas mulheres. Veio entao a Tereza Santos e falou enqunto tocava meu rosto:
- & nbsp; &n bsp; Ta tudo bem meu filho.
Nessa hora nao aguentei e chorei solucando como uma crianca enqunto ela me bracava apertado e me beijava repetidamente nos olhos molhados e na testa.
Me identifiquei muito com a historia da Tereza. Pois na minha familia nao tem 1 negro sequer. E todas as vezes que eu orgulhoso me identifiquei com o negro ou ideologicamente. Fui claramente avisado pelos meus amigos ou maes de namoradas que eu nao era negro. Queria que eles avisassem isso pra policia. Que da mais baculejo em escuro do que galego. Demetrius me entende... E se nao tem um negro na minha familia queria saber porque sou escuro. E meus irmaos tem tracos negros e sao mais claros. Enquanto agente nao achar que somos negros somos agradaveis. E se nos identificamos de alguma forma ficamos incomodos e incovenientes.
No meu documento de alistamento militar ta escrito que eu sou pardo. Vai la no aurelio ler o verbete... “o que nao e branco, sujo”.
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